Manual de Marca – Guia sobre manual de marca design

Aprenda a criar um manual de marca e veja a sua importância no design

Guia Sobre Manual de Marca

Eae! Tudo bele?

Hoje iremos vamos falar sobre um assunto amado pelos designers e criativos: o manual de marca.

Praticamente todo designer adora ver os manuais de marcas das grandes empresas que tem por aí…. Adoram ver como eles explicam o processo criativo, as linhas e malhas de construção do logotipo, o esquema de cores…  E ficam com aquele sentimento de “Ah meu Deus como tudo é lindo! ”, né? 😀

A questão é que ver é uma coisa, fazer é outra. E é nessa hora de fazer que o bicho pega.

Muita gente não sabe nem o que é e/ou a importância de um manual de marca.
Muitos Galuchos ficam simplesmente perdidos quando precisam criar um manual. Não sabem nem por onde começar.  E pior: nem sabem se realmente precisam criar um.

Então este artigo veio para te ajudar nessas questões. Claro que o que você lerá aqui é fruto de estudos e experiências minhas e nenhuma das palavras escritas devem ser levadas como dogmas.

Apenas estou tentando te ajudar aí na sua árdua tarefa de criar um manual de marcas, ok?

Então, vamos nessa!

O que é um Manual de Marca?

O manual de marca, ou manual de identidade visual, é um documento técnico desenvolvido pelo designer, ou uma equipe de designers, que criaram a identidade visual, a fim de demonstrar e determinar a correta aplicação da marca em diferentes suportes (gráfico, web,etc).

Ele, o manual, é um guia que contém todas as informações da marca, fornecendo todas as especificações, recomendações e normas fundamentais para a correta utilização da identidade visual.

O objetivo do manual de marca é preservar a uniformidade e coerência de comunicação da marca, mantendo suas propriedades visuais, identificação e reconhecimento da marca independentemente da plataforma em que ela for aplicada. A construção do manual de marca faz parte do projeto de identidade visual.

Um manual de identidade visual pode variar de tamanho dependendo do tamanho da empresa, da complexidade da marca e da complexidade das aplicações, ou seja, onde a marca será aplicada e terá que funcionar corretamente.

O documento produzido pode ser tanto digital (normalmente em formato pdf) quanto impresso, ou os dois.

Por que criar manual de marcas?

Toda instituição tem necessidades de comunicação e uma dessas carências é justamente a de identificação visual.

A marca não é somente um “deseinho” com uma fonte legal, é a imagem da empresa. Por isso é preciso zelar por essa imagem. É necessário manter uma homogeneidade na apresentação da marca em todas as suas manifestações.

Um manual de identidade visual garante uma segurança para a marca, para que ela seja aplicada (desde que respeitem o manual) sem que haja distorção.

Além disso um manual de marca pode definir a “personalidade” da marca e demonstrar para quem está lendo qual os objetivos de comunicação e valores daquela marca.

Pense em marcas grandes como Nike, Apple e Ferrari. Imagine o quanto de aplicações que essas marcas são submetidas.

Agora imagine que cada um que “pegar” para aplicar a marca (seja uma gráfica ou uma agência, por exemplo), fazendo do jeito que bem entender, alterando a marca como achar melhor. Percebe o mal que isso faria para marca, Galucho? Imagine o caos que a marca seria submetida.

Para evitar todo esse “caos” que o manual de marca existe.

Eu encontrei um vídeo no youtube que explica de forma resumida e simples um pouco sobre a importância do manual de marca.

Veja a seguir:

Quando devo criar um manual de marca?

Você deve criar um manual de marcar sobe dois motivos:

1. Quando te pagarem! 🙂

Criar um manual de marca dá trabalho. Dá muito trabalho.O valor do manual de marca deve ser cobrado assim como o valor de uma possível impressão.

Ás vezes dá mais trabalho criar um manual do que criar uma marca, acredite.

Claro que o valor será menor que o da criação de logo, mas mesmo assim é um valor a mais no projeto.

2. Quando for necessário!

Nem sempre é necessário criar um manual de marca.

“Ah, David como assim? Você está ensinando errado! Todo projeto tem que ter manual de marca!”

Claro que o cenário ideal seria que todos os projetos tivessem manual de marca, mas dependendo da situação, na prática, nem todos os casos compensa criar um manual de marca. Como por exemplo um projeto de logo específico para um evento de dois dias onde você foi contrato com urgência para criar o logo “para ontem”.

Nem sempre o manual de marca que você for criar precisa ser “super mega completão”. Tudo isso vai depender do projeto, do cliente, etc. Por exemplo:

Se você fizer um redesign da marca da Samsung, com certeza terá que criar um manual de marca bem extenso. Agora se você criar a marca do Manuel da Padaria com certeza o seu um manual terá poucas páginas. Sacou?

Manual de marca não é sua apresentação

Manual de uma identidade visual  tem o caráter informativo. Como já vimos, ele é um guia.
Esse guia poderá ser lido tanto por designers quanto pelo pessoal do RH, por exemplo.
Portanto o manual de marca deve ser simples e direto.

Evite usar termos técnicos e jargões desnecessários.

Cuidado ao usar imagens, cores, etc.; procure usar as cores, tipografias, texturas oriundas do próprio projeto visual.

“Todo manual de identidade visual deve seguir um padrão estético adequado à identidade visual que contém.” Daniella M. Munhos.

Lembre-se que em um manual de marca, a marca é a estrela principal!

Como criar um Manual da Marca?

Deve-se confeccionar o manual de preferência sobre fundos neutros (normalmente usa-se o branco) e que não interfiram na marca (seja na legibilidade ou até mesmo nas cores).

O formato da página pode ser tanto na horizontal como na vertical.

Abaixo segue as principais e mais comuns pranchas que temos em um manual de marca.

1 – Capa

A primeira página do manual deve ser a capa. Importante salientar que o conteúdo do manual de marca deve ser coerente ao padrão estético da identidade visual.

exemplo de aplicação da marca exemplo de capa - imagem retirada da capa do manual de marca do senac

2- Sumário

Uma prancha com índice é essencial caso o manual seja extenso, porém pode ser menos importante caso o manual seja de poucas páginas.

O projeto vai determinar se será ou não preciso.

exemplo de aplicação da marca exemplo de índice- imagem retirada da página índice manual de marca do senac

3 – Identificação

Essa página apresenta os dados da empresa como nome do Dono da Empresa, Diretores, telefone, email,  site, contato responsável, etc. Também neste item pode colocar a agência e ou designer responsável pelo projeto.

4 – Introdução/ Objetivo

A introdução pode ser o briefing da empresa, valores e visão estratégica, histórico da empresa, a apresentação do objetivo da marca, etc; ou até mesmo uma mistura desses alguns itens.

Nesse item, cada empresa decide o que lhe é melhor.

Essa introdução também pode ser dividida em páginas como por exemplo, uma para introdução, outra para briefing, outra institucional, etc.
exemplo de aplicação da marca exemplo de objetivo e introdução - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca do senac

exemplo de aplicação da marca exemplo de história - imagem retirada da página história do manual de marca do senac

5 – Apresentação da Marca

Aqui você começa a apresentar de fato a marca. Nessa parte se apresenta todos os elementos fundamentais da marca, conceitos e fundamentos que conduziram o processo criativo.

Também apresenta o resultado gráfico, ou seja, a identidade visual.

Nessa parte apresenta-se os conceitos e fundamentos que conduziram o processo criativo e também mostra o resultado gráfico, ou seja, a identidade visual.

exemplo de aplicação da marca exemplo de apresentação - imagem retirada da página de marca do manual de marca do senac

Versões da marca

É dever do designer prever o comportamento da marca em diferentes espaços. Por isso, normalmente (não é regra absoluta), a marca possui no mínimo dois formatos:

Vertical (quadrada)

Normalmente se refere a versão onde o símbolo fica sobre o logotipo. Será utilizada essa aplicação quando o espaço a ser usado tiver proporções próximas a de um quadrado (1:1, 2:1).

exemplo de aplicação da marca exemplo de variação da marca - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

Horizontal (retangular)

Normalmente se refere a versão onde o símbolo fica ao lado do logotipo.

Essa versão serve para aplicação da marca em espaços que tiverem proporções próximas a de um retângulo (3:1, 4:1, etc.).

exemplo de aplicação da marca exemplo de variação da marca - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

Grade de Construção

Nessa prancha coloca-se o grid de construção da marca.

E é nessa hora que o designer pensa “agora eu me consagro”, pois, é nessa parte que se coloca o desenho técnico da marca.

O grid é baseado em unidades modulares (clique aqui para saber mais sobre grids)  e tem a função de nortear a construção da marca, organizando e mantendo proporções dos elementos da marca (símbolo e logotipo).

exemplo de aplicação da marca grade de construção -imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

exemplo de aplicação da marca grade de construção - imagem retirada da página de manual de construção do manual de marca do SENAC

Tipografia Institucional

Em tipografia normalmente temos a fonte principal da marca que sob hipótese nenhuma deve ser alterada e também as fontes auxiliares, ou tipografia institucional, que serão usados em impresso, papelaria e até em sites.

Definir uma tipografia institucional é muito importante, pois garante uma coerência visual nos textos usados em seus materiais.

exemplo de aplicação da marca exemplos de tipografia - imagem retirada da página de tipografia do manual de marca do Dropbox

Cores Institucionais

Neste tópico apresentam-se as cores institucionais da marca e também não devem ser alteradas.

Toda marca deve possuir uma paleta de cores institucionais. A definição das cores também é muito importante, pois permite manter coerência e uniformidade visual em diferentes aplicações.

exemplo de aplicação da marca cores em adicionais - imagem retirada da página de corse do manual de marca do Dropbox

Elementos Adicionais

Aqui apresenta-se, caso existam, outros componentes adicionais como texturas, padrões e outros elementos visuais e sensoriais que auxiliam a identificação da marca.

exemplo de aplicação da marca de elementos adicionais - imagem retirada da página de grafismo do manual de marca do Dropbox

Limitações da Marca

O manual deve estabelecer limites para a marca.

Nessa prancha coloca-se as limitações como:

  • Área livre

Prevê um espaço em branco mínimo ao redor a ser respeitado, para que não haja interferências na identificação e leitura da marca.

exemplo de aplicação da marca área livre - imagem retirada da página de diretrizes e espaçamentos do manual de marca do Dropbox

  • Dimensões mínimas da marca.

Determina o tamanho mínimo aceitável para marca sem que aja distorções visuais e sem prejudica a identificação e leitura.

exemplo de aplicação da marca dimensões da marca - imagem retirada da página de marca fia do manual de marca do SENAC

Versões monocromática, em negativo e PB

Prevê a aplicação da marca em versões monocromáticas, em negativo e também em preto e branco, para que se evite problemas de descaracterização da marca.

exemplo de aplicação da marca monocromática e preto e branco - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

Aplicações em fundos variados

Prevê a aplicação da marca em fundos coloridos, escuros, sobre imagens, para que não se tenha problemas com contraste e nem ocorra perca a identidade da marca.

exemplo de aplicação da marca em fundos coloridos -imagem retirada da página de cores do manual de marca do SENAC

Outras Assinaturas

Quando se faz necessário a aplicação da marca junto com outro elemento como um slogan, marca, símbolos de registro (R) e  (TM), entre outros.

exemplo de assinatura da marca - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

exemplo de assinatura da marca - imagem retirada da página de marca do manual de marca do SENAC

Proibições

Este item reforça que a marca deve ser apresentada exatamente da forma prevista no manual e que deve vedar aplicações impróprias que deterioram a identidade visual.

exemplo de proibições da marca - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

exemplo de proibições da marca - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

6 – Aplicações da Marca

Existem uma infinidade de aplicações para marcas e cada empresa tem sua necessidade de aplicação.

Essas aplicações variam desde a parte de papelaria (cartões de visitas, papel timbrado, envelope) até aplicações em uniformes, brindes diversos, carros, sacolas, entre outros.

Neste item inserimos as aplicações da identidade visual com todas as informações necessárias para facilitar e agilizar o processo de produção, além de visar a garantia da uniformidade visual da marca.

Nessa parte é importante especificar tudo o que for essencial para a produção das peças:

  •  fontes;
  •  margens,
  •  formatos;
  • dimensões;
  • alinhamentos;
  •  tipo de material.

Dentre as aplicações mais comuns temos:

Cartões de visitas

exemplo de cartão de visitas- imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

Envelope

exemplo de envelope - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

Papel timbrado

exemplo de papel timbrado - imagem retirada da página de apresentação do manual de marca da UNB - Universidade de Brasília

Impressos diversos

mm-16

Uniformes

mm-28

Frota de carros

mm-27

Brindes

7 – Finalizando o Manual de Marca

Após concluir o manual de marca organize todo os arquivos, exporte uma versão em pdf e caso haja necessidade providencie uma cópia impressa. Você também pode criar uma manual de marca interativo como fez o DropBox, por exemplo.

Dificilmente a entrega do manual significa a conclusão total do projeto e um acompanhamento e/ou continuidade dos serviços pode se fazer necessário.

Considerações Finais

Criar um manual de marca pode dar trabalho, mas é essencial dentro de um projeto sério de Design, pois ajuda não somente a garantir a integridade da marca como também mostra para clientes, fornecedores e pessoas envolvidas que o um projeto de design é algo sério, trabalhoso e que deve ser respeitado.

Este artigo é somente um guia composto por minha experiência, estudos e referências que tive. Procurei reunir aqui os tópicos e informações mais aplicados nos manuais de marcas. De forma alguma deve ser levado como regra absoluta! Cabe a você Galucho decidir, baseando-se no projeto e nas necessidades do cliente, quais itens entraram ou não no manual de marca.

Sugiro também que leia esse outro artigo sobre registro de marca. Nele, passo informações tanto para o registro de marca, quanto para registrar e garantir o seu direito autoral. Clique aqui para conferir.

E você já criou um manual de marca?  Você pode deixar seu comentário abaixo e compartilhar com a gente a sua experiência.

Gostou do artigo? Então deixe seu comentário!

Até Mais.

Forte abraço

Referências

Livro: Manual de Identidade Visual – Guia Para Construção  de  Daniella Michelena Munhoz

Manuais usados nos exemplos:

SENAC – http://www.senac.br/media/3203/manual_final_simplificado_site.pdf

Instituto Votorantim – http://www.institutovotorantim.org.br/shared/marcas/manual-de-aplicacao-da-logomarca-instituto-votorantim.pdf

CONAB – http://www.conab.gov.br/downloads/publicidade/miv.pdf

Dropbox – https://www.dropbox.com/branding#spacing

UNB – http://www.marca.unb.br/manual1.php

SAMU – http://sna.saude.gov.br/download/Manual%20de%20Implantacao%20do%20SAMU.pdf

David Arty

Olá. Sou David Arty, fundador do blog Chief of Design.
Sou natural de São Paulo, Brasil. Trabalho com design, principalmente com design para web, desde 2009. Procuro transformar ideias loucas e complexas em peças simples, atrativas e funcionais.